Ricardo Costa nasceu no dia 29 de dezembro de 1972, em Dores do Indaiá, Minas Gerais, e, desde pequeno, demonstrava inclinação para práticas sensíveis de descoberta do mundo – e por que não dizer – dele próprio. A arte se criava em suas habilidosas mãos, primeiramente por meio da argila e, mais tarde, pela madeira, material predileto do artista.

O interesse por manifestações culturais, a curiosidade por coisas antigas, o gosto pela arte e a noção dos caminhos que poderiam ser trilhados acompanharam sua infância. Explorando a região, ia para o mato, descobria cavernas, deixava suas marcas, levava amostras do que despertava sua imaginação. Com cerca de 15 anos e guiado pela facilidade em trabalhar com volumes e formas, já esculpia as primeiras imagens. Mas somente aos 17 é que passaria a reconhecer o seu talento como arte, adotando-o como inerente à sua existência.

Nesta mesma época, já conhecido por sua habilidade com a madeira, recebeu um convite para trabalhar numa marcenaria, como entalhador, decorando móveis, atividade que ampliou seus conhecimentos sobre materiais, ferramentas e tipos de madeiras. Um pouco mais tarde, em 2001, montou o próprio negócio, produzindo móveis rústicos, exportando peças únicas feitas sob encomenda.

Logo foram acontecendo as exposições das obras produzidas. A primeiríssima – com poucas peças de argila – aconteceu na Escola Estadual “Francisco Campos”, em Dores do Indaiá. Na cidade de Divinópolis, por iniciativa própria e em parceria com o governo municipal, expôs na galeria da Praça do Santuário. Realizou mostras em outros locais, como em Bom Despacho e em Belo Horizonte.

Em 2007, realizou uma exposição temática, de peças sacras, na antiga Casa Lacerda. A religião, tema muito recorrente do trabalho do artista, é, segundo ele, “mais rica em história e detalhes”, além de estar intimamente ligada à própria história da arte. Ricardo também explora outros conceitos no seu trabalho, como acontecimentos de sua própria vida, sua visão do mundo e da sociedade, misturando informações de uma forma sutil e crítica. Sua obra, inclusive, é pontilhada de críticas sociais e certo deboche de situações e ações humanas, levando o público a refletir sobre sua própria postura. A arte de Ricardo Costa já foi abordada em matérias produzidas pelas emissoras de televisão Band, SBT e Globo – inclusive em programa do canal fechado Globo News.

Embora tenha realizado algumas mostras na cidade natal e em municípios vizinhos, sempre acalentou o sonho de expor em Ouro Preto, local onde seu grande inspirador, o Mestre Aleijadinho, nascera. Deu-se, então, o momento mais marcante de sua carreira: uma mostra individual realizada na FAOP (Fundação de Arte de Ouro Preto), em dezembro de 2002, possibilitada por intermédio do então Secretário de Estado de Cultura, Ângelo Osvaldo, que havia estado em Dores do Indaiá e entrado em contato com a arte de Ricardo, em exposição realizada no extinto Espaço Cultural Emílio Moura. Em Ouro Preto, seus trabalhos puderam ser visitados durante uma semana, na exposição intitulada “Opostos”. Na ocasião, ele teve a oportunidade de conhecer o artista plástico mineiro Carlos Bernardo Bracher, um dos expoentes da pintura expressionista e impressionista.

A influência mais marcante de Ricardo Costa é, na escultura, a arte barroca de Aleijadinho, nascida no berço da religiosidade mineira dos séculos XVIII e XIX. Teve o primeiro contato com a arte do escultor quando ainda era pequeno, em uma viagem a Congonhas, onde viu os Doze Profetas. Também passeia pela pintura, tendo como principal referência o impressionista holandês Vincent Van Gogh.

Sempre descalço, a sentir o cheiro da terra, Ricardo anda pelos pastos e caminhos e identifica, facilmente, os tipos de árvore. As mais usadas são o cedro e a canjerana. Movido pela curiosidade, passou a buscar novas fontes que pudessem servir de matéria-prima para produzir sua arte, sempre com grande consciência ambiental, apropriando-se de peças já mortas que pudessem ser aproveitadas, como troncos avulsos, pedras e madeiras de demolição. O artista está sempre buscando novas informações, se inspirando em novos elementos e se considera um eterno aprendiz: “Atrás de morro tem morro”.

A mais recente e grande descoberta do escultor é o verdete, nome popular de uma rocha típica da região, localizada às margens do rio Indaiá, em Quartel São João (distrito do município de Quartel Geral). Com tons esverdeados, o verdete colore as estradas e montanhas e nos oferece uma paisagem surreal. A partir dele e de outras pedras do rio Indaiá, produz algumas das tintas que utiliza em seu trabalho, como na escultura A virgem grávida. Também chegou a esculpir peças em materiais como pedra sabão, mármore de carrara e em blocos maciços de cascalho – uma experiência artística que também deu certo - munido de ferramentas produzidas por ele mesmo.

Todo o trabalho de Ricardo tem a sua marca registrada; a referência a Dores do Indaiá é uma constante, seja através do material utilizado, seja expressando a simplicidade e a pureza da vida numa cidade do interior de Minas Gerais. Para ele, a arte é uma coisa mágica: “É como se fosse uma pescaria. Enquanto faço, não penso em nada, é uma distração; e uma concentração”. São promissoras, férteis, as águas da imaginação. Um pescador alado é Ricardo Costa.